Transtorno Psicossomático e Seus Reflexos na Afetividade e Vida Social do Sujeito

O transtorno psicossomático é uma síndrome crônica caracterizada por múltiplas queixas somáticas (orgânicas) aparentemente inexplicadas. É diagnosticada com maior frequência em mulheres, mas tem crescido seu diagnóstico em homens.
Os sintomas da somatização podem aparecer com quadros dolorosos incaracterísticos, queixas cardíacas, circulatórias, distúrbios digestivos e respiratórios que não se confirmam por exames especializados, refletem alterações em qualquer sistema funcional, mas que raramente se confirmam por exames clínicos e laboratoriais (Ballone, 2011). E, por não serem medidos pelos meios convencionais de exames, podem tornar-se potencializados pela solidão e o constrangimento de, às vezes, ser até desacreditados por aqueles que convivem com o doente, pois ainda temos a cultura de que “o que não é visto ou medido, possui pouco valor”.
A cronicidade emocional pode desenvolver um quadro clínico mórbido no qual o doente, familiares e cuidadores presenciam a deterioração da qualidade de vida e da rede social na qual a pessoa está inserida, provocando um profundo impacto em suas vidas.
Entretanto, Rogers nos ensina que os indivíduos têm a capacidade de experenciar e de se tornarem conscientes de seus desajustamentos. Que aprendizagens e experiências podem ser cuidadosamente assimiladas e reajustadas, e que as tendências em direção à saúde podem ser facilitadas por uma relação interpessoal na qual um dos membros esteja livre o bastante da incongruência (Rogers, 2009).
Tais descobertas nos revela que possuímos, de um modo geral, a capacidade de restaura-nos internamente das inúmeras e inegáveis feridas a que somos expostos.
Para Ballone (2011), como a manifestação emocional somatizada não respeita a posição sóciocultural do paciente, não guarda também relação com o nível intelectual, pois, como se sabe, a emoção é senhora e não serva da razão, o único fator capaz de atenuar as queixas é a capacidade da pessoa de expressar melhor seus sentimentos verbalmente, pois quanto maior a capacidade do indivíduo de referir seu mal-estar emocional através do discurso sobre o que sente, relatando sua angústia, sua frustração, depressão, falta de perspectiva, insegurança, negativismo, pessimismo, carência de carinho e coisas assim, menor será a chance de representar tudo isso através de palpitações, pontadas, dores, falta de ar, etc.
Coelho (2012), afirma que, às vezes, sermos simplesmente ouvidos por outro ser humano que suporta o nosso sofrimento traz um alívio terapêutico, pois a presença de outra pessoa acolhendo o sofrimento traduz no inconsciente do sofredor uma sensação de que se o outro suporta ouvir o seu drama, então, ele mesmo deve ter em algum lugar dentro de si a capacidade de sobreviver a tudo isso.
Assim, a cura pela escuta e o silencio acompanhado da presença acolhedora do outro, são formas mais simples e poderosas de amenizar o sofrimento.
Texto retirado do site Psicologado

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