Reflexão para o dia dos Pais

A importância da função paterna no desenvolvimento da criança

É comum associarmos a ideia de função paterna apenas às tarefas exercidas pela pessoa do pai. Porém, do ponto de vista psíquico, função paterna são todas as contribuições e intervenções que completam a função materna (suporte físico e emocional proporcionados à criança), independente de quem a cumpra. Ambas as funções se complementam e são vitais para a estruturação e o desenvolvimento psico-afetivo da criança, seu bem estar e saúde emocional.
Nos primeiros meses de vida, o bebê vive a mãe como sua extensão e universo. Na medida em que pequenas intervenções do ambiente vão acontecendo nesta relação dual, vai-se introduzindo a realidade para a criança, oferecendo-lhe um novo mundo – real e social. Neste sentido, dizemos que o pai tem a função primordial de separar e romper a fusão entre mãe-bebê existente inicialmente, delimitando o mundo interno (fantasias, necessidades e desejos) e externo (realidade) da criança. Ao privar o bebê da realização de alguns de seus desejos, dá-se o primeiro passo para a imposição da ordem, essencial para o convívio social.
O pai, enquanto promove o suporte emocional para que a mãe possa cumprir suas funções, também diz os primeiros nãos, no sentido de apontar à mãe e ao bebê que eles não poderão viver eternamente uma relação fundida, mostrando que existem outras pessoas para se relacionarem. Fazendo esta separação, a mãe pode assumir seus outros papéis (esposa, filha, profissional, amiga, entre outros), tão importantes para sua identidade de mulher, e a criança, podendo ser cuidada por terceiros, vai ampliando seus horizontes diante do mundo. Ao intervir, o pai coloca limite e permite a inserção social da criança; cria espaço para o desenvolvimento da identidade do filho enquanto ser único (separado da mãe), fomentando, por si só, a diferença, entre sexo, pessoas e papéis sociais.
Ao cumprir com a função paterna, o pai demonstra amor e proteção, oferece confiança e segurança. A partir do momento em que acompanha e encoraja a criança na difícil tarefa de desbravar o mundo que a cerca, o pai intervém e apresenta parâmetros do que pode ou não pode, transmite valores éticos e morais, propiciando a instalação da ordem e do respeito às leis sociais. Por isto, a participação do pai na vida da criança é fundamental.
A  função paterna, desempenhada pelo pai, torna-se, assim, uma tarefa de muita responsabilidade, essencial para a evolução, crescimento e formação da criança como ser subjetivo e social.

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